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Crianças preocupadas com o meio ambiente influenciam pais a refletirem sobre mudanças climáticas

Que os pais são o grande exemplo para os filhos, todo mundo sabe; mas o que mostra uma recente pesquisa publicada por cientistas da Universidade do Estado da Carolina do Norte, é que os pequenos também podem influenciar a nossa visão e os nossos comportamentos quando o assunto é meio ambiente.

De acordo com o estudo publicado, educar crianças e adolescentes sobre as mudanças climáticas aumenta a preocupação dos pais sobre o assunto.

Entre os participantes, 72 alunos e 93 pais não tiveram contato algum com o currículo — constituindo o grupo de controle. Enquanto isso, 166 estudantes e 199 pais tiveram acesso a todo o conteúdo do programa de educação ambiental, compondo o grupo experimental. Após completarem o currículo climático, ambos os grupos voltaram a responder a pesquisa que determinava o quanto eles se preocupavam com as mudanças climáticas.

“Descobrimos que houve um aumento na preocupação climática para os grupos experimental e de controle, mas que a mudança foi muito mais pronunciada nas famílias em que as crianças aprendiam o currículo”, explica um pesquisador.

Como criar uma geração mais consciente?

Desde agosto de 2018, a jovem sueca Greta Thunberg tem atraído a atenção de todo o mundo para as mudanças climáticas ao protestar às sextas-feiras em frente a sua escola. Aos 16 anos, Thunberg é considerada uma das pessoas mais influentes de 2019, segundo a revista Time. Nesta sexta-feira, 24 de maio, inclusive, 1.297 passeatas organizadas por estudantes devem ocorrer em 109 países, em apoio às ideias levantadas pela adolescente.

“Já na época da Conferência Rio-92, quando a causa climática ganhou maior notoriedade, o movimento ambiental já passava a contar com grande participação da geração mais jovem”, relembra outra pesquisadora.

Professora da licenciatura em Geociências e Educação Ambiental, ela defende que o pensamento crítico é a chave para a formação de cidadãos conscientes e que, com a abordagem correta para cada idade, isso pode ser incentivado desde a infância.

“Pensar no planeta de forma sistêmica, integrada, é uma concepção importantíssima que pode ser ensinada desde cedo”, afirma a professora. Se as mudanças climáticas são um assunto muito abstrato para os pequenos, que tal começar pelo ciclo hídrico e mostrar como ele influencia a formação de rochas, a manutenção das florestas, a alimentação dos animais? Ao entender a totalidade dos processos, será mais fácil compreender como o desequilíbrio desse sistema é prejudicial para toda uma cadeia — até, mais tarde, chegar até nós.

“O que é muito comum é que o tema seja tratado de forma superficial com a crianças e caia em armadilhas e contradições, como quando uma escola organiza uma gincana para arrecadar material reciclável”, exemplifica. “No final das contas, essa ação só estimula que as crianças consumam ainda mais plástico, porque elas vão querer juntar o máximo de material possível para ganhar a prova.”

Outros assuntos, quando tratados de maneira simplista, podem provocar reações alarmistas entre os pequenos. Foi o que aconteceu com João Pedro, 8 anos, filho da editora da CRESCER Renata Menezes, que, aos 4, costumava gritar em frente à porta do banheiro quando percebia que a família demorava no banho. “Ele pensava que estávamos acabando com a água do planeta por ficarmos alguns minutos embaixo do chuveiro”, lembra Renata.

“É claro que a mudança de hábitos pessoais é positiva (e necessária!), mas não é apenas isso que vai solucionar a escassez de recursos do planeta. Há outros interesses em jogo, mas nos acostumamos a não questioná-los. Para as crianças, essa ideia catastrófica de que o mundo irá acabar pode causar algumas crises de ansiedade, e é nesse momento que os pais devem intervir com uma dose de pensamento crítico e informação”, finaliza.

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